domingo, junho 11, 2006

PORTUGAL - XI

Religião
A maioria dos Portugueses (cerca de 84% da população total segundo os resultados oficiais do Censos 2001), inscrevem-se numa tradição católica. A prática dominical do Catolicismo segundo um estudo da própria Igreja Católica (também de 2001) é realizada apenas por 1933677 católicos praticantes (18.7% da população total) e o número de comungantes é de 1065036 (10.3% da população total). Cerca de metade dos casamentos realizados são casamentos católicos (que têm validade legal automática). Nos dias de hoje ainda não é possível o "divórcio" católico mas ele está previsto no Direito Civil e tem prevalência legal sobre o compromisso religioso.
O protestantismo em Portugal possui várias denominações actuantes, sendo estas maioritariamente de cultos protestantes de imigração brasileira. A IURD é um exemplo prático dessa importação de costumes e religiões. Existem ainda minorias islâmicas e hindus, maioritariamente de emigrantes. A comunidade judaica em Portugal conseguiu manter-se, apesar de a Inquisição em Portugal ter sido das mais activas na Europa. A forma como o culto se desenvolveu na vila raiana de Belmonte é um dos exemplos de perseverança dos Judeus como unidade em Portugal. Aconteceu em Lisboa em 1506 um massacre de Judeus em que padeceram 30.000 crentes, um dos mais violentos na tradição europeia.
A Constituição Portuguesa garante liberdade de religião mas a igualdade entre religiões é contrariada pela existência da Concordata que dá benefícios específicos à Igreja Católica. É comum que em cerimónias oficiais públicas como inaugurações de edifícios haver a presença de um representante da Igreja Católica ou que à cerimónia oficial sejam associados actos religiosos católicos como bênçãos ou missas. O estatuto religioso dos políticos eleitos é normalmente considerado irrelevante pelos eleitores. A exemplo disso, os últimos Presidentes da República eram pessoas assumidamente laicas.
Igualdade de Género
Portugal é o país da União Europeia com maior população activa feminina mas, em grande medida devido ao tardio reconhecimento de plenitude de participação na vida cívica da mulher, é um dos países da UE em que maior é a assimetria entre homens e mulheres em termos de compensação financeira por trabalho idêntico. Às mulheres está vedado o direito a interromperem a gravidez caso assim o entendam, aspecto em que Portugal só é equiparável à Polónia dentro da UE. É ainda o 3º país da UE em termos de violência doméstica sobre as mulheres, atrás da Espanha e da Grécia. No entanto, vários relatórios da Amnistia Internacional e da APAV referem que o número de ocorrências é bastante maior do que as que são referidas. Segundo um estudo de Sofia Aboim realizado na série "modelos de conjungalidade" cerca de 1/3 das mulheres portuguesas não esperam que os seus esposos as assistam nas tarefas domésticas.

1 comentário:

JR disse...

Li atentamente estas últimas crónicas sobre Portugal e adorei.
A libertação da sapiência que existe em nóa aliada a um aturado tempo de pesquisa, origina a publicação sintetizada e direccionada para uma linguagem simples e incisiva dum Portugal recente.
É também tempo de paciência, não é Rui?