sexta-feira, abril 01, 2011

NOBRE POVO!


Islândia. O povo é quem mais ordena. E já tirou o país da recessão
por Joana Azevedo Viana, Publicado em 26 de Março de 2011   jornal i
A crise levou os islandeses a mudar de governo e a chumbar o resgate dos bancos. Mas o exemplo de democracia não tem tido cobertura


Os protestos populares, quando surgem, são para ser levados até ao fim. Quem o mostra são os islandeses, cuja acção popular sem precedentes levou à queda do governo conservador, à pressão por alterações à Constituição (já encaminhadas) e à ida às urnas em massa para chumbar o resgate dos bancos. 

Desde a eclosão da crise, em 2008, os países europeus tentam desesperadamente encontrar soluções económicas para sair da recessão. A nacionalização de bancos privados que abriram bancarrota assim que os grandes bancos privados de investimento nos EUA (como o Lehman Brothers) entraram em colapso é um sonho que muitos europeus não se atrevem a ter. A Islândia não só o teve como o levou mais longe.

Assim que a banca entrou em incumprimento, o governo islandês decidiu nacionalizar os seus três bancos privados - Kaupthing, Landsbanki e Glitnir. Mas nem isto impediu que o país caísse na recessão. A Islândia foi à falência e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entrou em acção, injectando 2,1 mil milhões de dólares no país, com um acrescento de 2,5 mil milhões de dólares pelos países nórdicos. O povo revoltou-se e saiu à rua.

Lição democrática n.º 1: Pacificamente, os islandeses começaram a concentrar-se, todos os dias, em frente ao Althingi [Parlamento] exigindo a renúncia do governo conservador de Geir H. Haarde em bloco. E conseguiram. Foram convocadas eleições antecipadas e, em Abril de 2009, foi eleita uma coligação formada pela Aliança Social-Democrata e o Movimento Esquerda Verde - chefiada por Johanna Sigurdardottir, actual primeira-ministra.

Durante esse ano, a economia manteve-se em situação precária, fechando o ano com uma queda de 7%. Porém, no terceiro trimestre de 2010 o país saiu da recessão - com o PIB real a registar, entre Julho e Setembro, um crescimento de 1,2%, comparado com o trimestre anterior. Mas os problemas continuaram.


Lição democrática n.º 2: Os clientes dos bancos privados islandeses eram sobretudo estrangeiros - na sua maioria dos EUA e do Reino Unido - e o Landsbanki o que acumulava a maior dívida dos três. Com o colapso do Landsbanki, os governos britânico e holandês entraram em acção, indemnizando os seus cidadãos com 5 mil milhões de dólares [cerca de 3,5 mil milhões de euros] e planeando a cobrança desses valores à Islândia.

Algum do dinheiro para pagar essa dívida virá directamente do Landsbanki, que está neste momento a vender os seus bens. Porém, o relatório de uma empresa de consultoria privada mostra que isso apenas cobrirá entre 200 mil e 2 mil milhões de dólares. O resto teria de ser pago pela Islândia, agora detentora do banco. Só que, mais uma vez, o povo saiu à rua. Os governos da Islândia, da Holanda e do Reino Unido tinham acordado que seria o governo a desembolsar o valor total das indemnizações - que corresponde a 6 mil dólares por cada um dos 320 mil habitantes do país, a ser pago mensalmente por cada família a 15 anos, com juros de 5,5%. A 16 de Fevereiro, o Parlamento aprovou a lei e fez renascer a revolta popular. Depois de vários dias em protesto na capital, Reiquiavique, o presidente islandês, Ólafur Ragnar Grímsson, recusou aprovar a lei e marcou novo referendo para 9 de Abril.

Lição democrática n.º 3: As últimas sondagens mostram que as intenções de votar contra a lei aumentam de dia para dia, com entre 52% e 63% da população a declarar que vai rejeitar a lei n.o 13/2011. Enquanto o país se prepara para mais um exercício de verdadeira democracia, os responsáveis pelas dívidas que entalaram a Islândia começam a ser responsabilizados - muito à conta da pressão popular sobre o novo governo de coligação, que parece o único do mundo disposto a investigar estes crimes sem rosto (até agora).

Na semana passada, a Interpol abriu uma caça a Sigurdur Einarsson, ex-presidente-executivo do Kaupthing. Einarsson é suspeito de fraude e de falsificação de documentos e, segundo a imprensa islandesa, terá dito ao procurador-geral do país que está disposto a regressar à Islândia para ajudar nas investigações se lhe for prometido que não é preso.

Para as mudanças constitucionais, outra vitória popular: a coligação aceitou criar uma assembleia de 25 islandeses sem filiação partidária, eleitos entre 500 advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais, etc. A nova Constituição será inspirada na da 
Dinamarca e, entre outras coisas, incluirá um novo projecto de lei, o Initiative Media - que visa tornar o país porto seguro para jornalistas de investigação e de fontes e criar, entre outras coisas, provedores de internet. É a lição número 4 ao mundo, de uma lista que não parece dar tréguas: é que toda a revolução islandesa está a passar despercebida nos media internacionais.

quarta-feira, março 30, 2011

INVOLUÇÃO


APAV registou mais de 13 mil casos de violência doméstica em 2010
28.03.11 por SAPO
Das 23 mil pessoas apoiadas pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) no ano passado, 82% foram vítimas de violência doméstica. São na sua maioria mulheres, entre os 26 e 45 anos, que sofrem maus tratos físicos e psicológicos continuados.

As estatísticas mais recentes da APAV mostram que o número de crimes de violência doméstica aumentou em relação a 2009. Por exemplo, o crime de ofensa sexual aumentou 41,4% e o crime de homicídio aumentou 42,8%.
As vítimas de violência doméstica representam mais de 13 mil dos quase 17 mil factos criminosos registados pela APAV em 2010. Dentro deste universo, destacam-se os maus tratos psicológicos (36,8%), os maus tratos físicos (30%) e a ameaça/coação (20,4%).
As relações familiares entre o autor do crime e a vítima são as situações mais comuns. Só entre cônjuge/companheiro assinalaram-se 48,5% dos registos. A relação entre a vítima e o autor do crime também pode ser de namorado ou ex-namorado, ex-companheiro ou ex-cônjuge.
87% das vítimas de crimes assinalados pela APAV são mulheres, com estado civil casado (39,6%) e com filhos (50,2%). O grau de ensino das vítimas distribui-se de forma “bastante equitativa”. “O nível de ensino superior apresenta valores ligeiramente acima dos restantes, com cerca de 6,6% do total de casos registados”, lê-se no relatório da APAV.
Em contraponto com a caracterização das vítimas, 81% dos autores dos crimes são do sexo masculino entre os 26 e os 45 anos de idade. 54,7% dos agressores são casados ou a viver em união de facto. 
A vitimação continuada é uma característica em 70% dos casos registados, sendo que 26% dos casos as agressões prolongam-se por mais de dois anos. A residência comum (56,1%) é o local do crime mais assinalado.  
De acordo com os dados da APAV, os distritos de residência das vítimas mais citados são Lisboa (17,8%), Porto (8,6%) e Faro (6,8%).  
COMENTÁRIOS

Maria Freitas
Eu fui vítima de violência doméstica psicológica durante 13 anos de casamento, tenho um filho de 9 anos. Depois de andar 2 anos a ver as mulheres as morrer, decidi que não ia ser capa do correio da manha. Em Dez 2010, fiz um saco de roupa para mim e outro para o meu filho, apresentei queixa na esquadra PSP e fui-me atribuído o Estatuto de Vitima e abandonei o lar. Andei 2 semanas fugida, tive de abandonar o meu serviço. No meio de tanta desgraçada tive a compreensão da entidade patronal. Mas escolhi viver não está a ser fácil, mas era muito pior o que eu vivia todos os dias.
Comentário enviado em 2011-03-30 às 10:49:52

Klara
O problema na violência conjugal é que não se actua nas causas mas apenas nos efeitos. A intervenção é meramente "remediativa", pois investe-se em casas de abrigo para acolher as mulheres e filhos vítimas, mas não se actua nos agressores. Além de não se fazer intervenção psicológica com estes, o sistema da justiça tb não funciona pois raramente são condenados. Assim as mulheres e os filhos é que têm de abandonar a casa, o emprego, a escola e todos os bens, o contacto com amigos e família, para se esconderem como se fossem eles os criminosos em casas abrigo. Eu não sei como é possível, os senhores políticos e os legisladores não verem tamanha contradição.
Comentário enviado em 2011-03-30 às 10:52:08

terça-feira, março 29, 2011

CONTRADIÇÕES



A SOCIEDADE QUE PRETENDEMOS CONSTRUIR

“Amigos e companheiros:
Os resultados deste Congresso vêm-nos permitir dar resposta às contradições e desigualdades da sociedade portuguesa, que ontem enunciei.
O programa aprovado torna mais clara e mais precisa a proposta que nos compete fazer ao Povo Português. Partindo da situação real em que o País se encontra, propomo-nos iniciar a construção de uma sociedade socialista em liberdade. Este é, na verdade, o objectivo que, pela via social-democrática, nos propomos atingir.
A passagem da sociedade baseada no lucro e na exploração para a sociedade da igualdade na liberdade será feita através de reformas sucessivas e irreversíveis e dar-se-á quando e nos termos que a população democraticamente definir.
O socialismo democrático que defendemos é garantia de que será o Povo a construir a sociedade em que quererá viver, pondo ele próprio em prática os grandes ideais do Socialismo e da Democracia: Liberdade, Igualdade e Solidariedade. Estes ideais são resultado da convergência do Humanismo, do Cristianismo e da Filosofia ocidental, das lutas das classes trabalhadoras, do pensamento socialista reformista e do combate contra todas as formas de opressão. Desta convergência, bem como do carácter original dos partidos sociais-democráticos, que foram durante anos partidos da classe operária antes de se transformarem em partidos de todo o Povo, resultam os valores da Comunidade e da Pessoa que, no Socialismo Democrático, se fundem em síntese harmoniosa.
Será, pois, a via social-democrática que nos vai permitir dar resposta às esperanças do Povo Português; construiremos, de acordo com a sua vontade e adaptando-se às suas características próprias, uma sociedade nova onde não haja exploração nem opressão.”

Francisco Sá Carneiro
http://www.institutosacarneiro.pt/archive/doc/volume_tres.pdf

XL

PORTUGUESES NOTÁVEIS

domingo, março 27, 2011

A NOSSA GUERRA


O MUNDO NÃO ESTÁ MAIS PACÍFICO!






O mundo tem cada vez mais pessoas e essas pessoas estão cada vez mais e melhor informadas e esclarecidas acerca da realidade que as rodeia, local e mundialmente, quer por acesso cada vez maior ao ensino (o negócio do ensino é já o 3.º mundial em volume de facturação), quer por via do acesso à internet, etc.
Esta realidade social conflitua com outra realidade – quem detém o grosso dos negócios no mundo, são as mesmas famílias, há já muitos anos e sabem que se cederem um pouco desses negócios e poderes, abrem caminho para a democratização e igualdade social. Isto é: “Quanto mais eu distribuir, menos tenho!”
Isto não é um discurso Marxista, é um discurso realista e o mundo pode preparar-se para uma cada vez maior repressão, por parte dos governos, e uma cada vez maior contestação social popular.
Aliás, começa já a ser banal este tipo de contestações nas ruas de todo o planeta.
Bem-vindos à “Nova Ordem Mundial” e ao dealbar da Guerra-civil Mundial!

sexta-feira, março 25, 2011

CACIQUES - "AVIS FALAGUEIRENSIS"


Cacique - nome masculino
1.         Chefe político que dispõe dos votos dos eleitores de uma localidade
2.         Chefe (entre os indígenas) de várias regiões da América
(Do aruaque do Haiti cachique, «chefe político», pelo cast. cacique, «id.»)

Cacique - s. m.
1. Chefe mexicano antes da conquista.
2. Chefe de índios independentes.
3. Fig. Trunfo político que dispõe dos votos da sua localidade.
4. Bras. Ave do Amazonas.

Vou falar de caciques.
Não dos chefes indígenas nem das aves do Amazonas.
Não vou também falar dos caciques portugueses em geral, como os “Majoris Valentonnus”, “Bimbus Costanidius”, “Fátimas Felgueirensis” e outros/as.
Vou falar de alguns caciques de uma determinada zona do país e que eu denomino de “Avis Falagueirensis”.
Estes espécimenes, tal como todos os outros caciques em Portugal, têm um pensamento ideológico e uma prática política iguais e o seu “Modos Operandi” consiste no seguinte; conquista-se o poder com base numa causa social, política, etc., e a partir daí nunca mais se o larga e tudo vale para a sua manutenção; desde a prática inverosímil de chantagem, tipo: “eles comem criancinhas ao pequeno-almoço”, à acção mais directa, de mandar opositores e críticos, “Badamerda”. Estas “Avis Falagueirensis”, tal como todos os outros caciques, arrogam-se de portadores de todo o Bem, contra os “malfeitores” que os querem derrubar do seu “pedestal”.
O cacique nacional, começa normalmente a escalada pelo poder, como dirigente num ou mais clubes desportivos ou numa qualquer colectividade de bairro, mas depressa alcança a presidência da Junta de Freguesia e /ou uma eleição como edil camarário. E acumula todos estes cargos, o “coitado”!
O cacique é eleito por um determinado partido político, mas se este não o tornar a apoiar, candidata-se por outro. É o “espírito de sacrifício pela população” que a isso o obriga.
Eu conheço duas destas “Avis Falagueirensis”, uma era um comunista fervoroso, outra era um UDP, igualmente fervoroso. Ambos são edis eleitos pelo PS. Mas não haja confusões! É o “espírito de sacrifício pela população” que os comanda!
Estas “Aberraciones Socialis”, passam a vida a queixar-se que estão cansados de exercer os cargos que ocupam e que prejudicam as suas vidas privadas e familiares e que não há ninguém que os substitua, mas na realidade não largam a “MAMA” que os alimenta, por nada desta vida.

Portugal sofre muito deste tipo de patologia social, acima descrita e esta é uma das razões do nosso atraso civilizacional (económico, social, etc.) relativamente aos países mais desenvolvidos da Europa. Nestes outros países (desenvolvidos), estes caciques deixaram de existir, devido à acção e decisão eleitoral dos povos, populações, associados, etc., que decidiram e decidem não se deixar governar por este tipo de gente. Mas isso é em países desenvolvidos.
Em Portugal não sei se e quando estas “Aberraciones” deixarão alguma vez de existir.