terça-feira, abril 27, 2010

O PS matou os professores


Henrique Raposo (www.expresso.pt)
9:00 Terça-feira, 27 de Abril de 2010
Acabar com o chumbo por faltas é mais um capítulo do facilitismo que destrói o futuro dos mais pobres. "Não tens de aprender. E nem sequer tens de ir às aulas", eis a herança do PS noensino.
I. Já não há palavras para descrever a podridão politicamente correcta que é o Ministério da Educação, e, por arrastamento, a escola pública. Os professores já estavam proibidos de chumbar alunos mesmo quando estes ignoram as matérias básicas. Agora, ficámos a saber que os professores deixam de ter a possibilidade de chumbar um aluno por faltas. É uma alegria, a escola pública. "Não tens de aprender, e nem sequer tens de ir às aulas", eis a herança que o facilitismo do PS deixa no ensino.
II. O socratismo destruiu a figura do professor. Fica a impressão de que o professor passou a ser um merobabysitter dos monstrinhos que os pais deixam na escola. O professor não tem a autoridade pedagógica para instruir, e também não tem autoridade moral para educar. O professor não pode instruir os alunos, porque o facilitismo impede rigor e exigência. Todos têm de passar, porque o Ministério quer boas estatísticas. Resultado: milhares de pessoas chegam à faculdade sem saber escrever em condições. Depois, o professor não tem autoridade moral sobre os alunos. A falta de educação campeia pelas escolas. O fim do chumbo por faltas é só mais um prego no caixão da autoridade moral do professor. Nem por acaso, o i, há dias, trazia este desabafo de uma professora: "A partir do momento que, por exemplo, uma suspensão de um aluno não conta como falta para acumular e para reprovar de ano, que efeito é que uma sanção destas pode ter?".


quinta-feira, abril 15, 2010

UMA VERDADE INCONVENIENTE!


“ Todos sabemos que o valor do Produto Interno Bruto representa o valor da riqueza que é criada em cada ano num país. Essa riqueza é repartida pelos diversos intervenientes no processo produtivo.

É repartida?

Eugénio Rosa, reputado economista ligado à CGTP, num estudo sobre a matéria, escreveu:

“ (…) Dados publicados pelo Banco de Portugal, em 1973, portanto no ano anterior à Revolução de Abril, [indicavam que] a parte do rendimento nacional que os trabalhadores portugueses recebiam sob a forma de "Ordenados e Salários " representava apenas 47,4% do Produto Interno Bruto. Em 1974, com a Revolução de Abril, essa parte subiu para 52,5%, tendo atingido em 1975 o maior valor de sempre, que foi 59% do PIB.
A partir deste ano, a parte que cabe aos trabalhadores começou a decrescer atingindo em 1995 apenas 35% do PIB segundo dados do Banco de Portugal, e, no ano 2002, menos de 37% segundo uma estimativa feita com base em dados do Banco de Portugal, portanto um valor bastante inferior ao que se verificava mesmo antes do 25 de Abril.
Por outro lado, o chamado "Excedente Bruto de Exploração", ou seja, os lucros brutos têm aumentado.
Em 1975, representava apenas 24,3% do Produto Interno Bruto, enquanto em 1995 já atingia os 39,8%, ou seja, um valor superior ao verificado mesmo antes de 25 de Abril – em 1973 representava 37,1% - como provam os dados publicados pelo Banco de Portugal.”

Em jeito de conclusão: riqueza em Portugal até há, porém está cada vez mais mal distribuída.

Números terríveis: 26% dos alentejanos vive em situação de pobreza. A média nacional é de 20%. Em 50 anos, a população caiu 1/3 (802 mil para 535 mil). Os idosos são 40% da população (214 mil). Some-se a isso que o Alentejo se converte, cada dia, em vilegiatura ou coutada de não alentejanos (muitos dos quais estrangeiros). Uma futura reserva com meia dúzia de originários para decorar?

Kim, o Alentejo que te mostraram é o do Roquete, o Alentejo dos alentejanos é outro. ”
XL 13/4/10 18:52

Comentário de XL no blogue “Às vezes - fim-de-semana”, acerca de uma visita à herdade do Esporão.

terça-feira, abril 06, 2010

VIVA PORTUGAL. OLÉ!

Valença põe bandeiras espanholas em casas e lojas contra fecho das "urgências".
A população de Valença começou, hoje, a colocar bandeiras espanholas nas casas e estabelecimentos comerciais do concelho, naquela que é mais uma forma de protesto contra o encerramento das "Urgências" do Centro de Saúde local.
Utentes de Valença frequentam cada vez mais urgências em Tui, Espanha, por ser mais perto e barato.”
SIC Online, Publicação: 05-04-2010 17:28   |  Última actualização: 05-04-2010 17:37
Viva Portugal. I Olé!

quinta-feira, março 25, 2010

OS SARGENTOS E A REPÚBLICA


"A contribuição dada pelos sargentos e praças, embora ainda pouco conhecida, para a implantação da República, foi muito importante para não dizer determinante.
Essa contribuição foi dada, não só no Porto, na Revolta do 31 de Janeiro de 1891, precursora da República, mas também na preparação das forças republicanas e, sobretudo, na luta que se travou, no dia 4 e madrugada de 5 Outubro de 1910.
Os oficiais republicanos, com a excepção honrosa  do comissário Machado dos Santos, abandonam o combate, quando, na Rotunda, recebem a notícia do suicídio do Almirante Cândido dos Reis.
Foram os sargentos e praças, com coragem e determinação exemplares que, ao resistirem, impediram a derrota das forças republicanas e, mesmo ali, graduam Machado dos Santos em 2º tenente, entregam-lhe o comando e, conjuntamente com o Povo que os rodeava, passaram ao combate, juntando-se aos outros combatentes, derrotando a Monarquia e levando à vitória da República, no dia 5 de Outubro de 1910."

sábado, março 13, 2010

PORTUGAL PORTUGUÊZ

A corrupção do Estado (Vasco Pulido Valente)
A entrevista que João Cravinho deu na última quinta-feira é indispensável para perceber a corrupção. Cravinho diz duas coisas de uma importância crucial, em que esta coluna tem de resto insistido. Primeiro que o grosso da corrupção "se faz", com uma ou outra "entorse" imperceptível, "de acordo com a lei". Segundo, que por isso mesmo a polícia e os tribunais não podem ir longe e só se ocupam de casos menores. No fundo o Apito Dourado e operações do género são um espectáculo, que esconde os crimes de consequência. Com grande coragem, Cravinho explica qual é o problema: e o problema é o de que certos lobbies se apoderaram de "órgãos vitais de decisões" do Estado ou dos departamentos que as preparam. Ou, se quiserem, o de que o Estado se tornou o principal agente de corrupção.
Isto significa que o Estado serve, não o interesse do país, como compreendido por este ou aquele partido, mas sim o interesse do lobbies com mais poder ou influência. E, no entanto, nunca se fala disto, embora toda a gente o saiba ou suspeite, a começar pelo Presidente da República, porque os "negócios" conseguem inspirar um respeito e um temor que, por exemplo, o futebol não consegue e que manifestamente coíbem a imprensa e a televisão. O que se passa no interior de certos ministérios de que depende a orientação da economia nunca chega à rua. Como nunca chega à rua quem perdeu e ganhou com os "projectos", que o Estado autoriza ou financia. Ou quem é e donde vem o impecável pessoal que manda nisso tudo. Ainda anteontem o dr. Cavaco exigiu novas leis para assegurar o que ele chama a "transparência da vida pública". Infelizmente, novas leis não bastam.
Cravinho descreve o "choque" que sofreu com a complacência do PS perante a corrupção do Estado. Sofreria com certeza um "choque" igual, e talvez pior, no PSD. A verdade é que o "bloco central" se fundiu com o Estado. Não existe um Estado independente do "bloco central" e muito menos dos "negócios", que o apoiam e sustentam: da banca e da energia a quatro ou cindo escritórios de advogados. Cravinho, como Cavaco, não percebeu, ou preferiu omitir, que hoje não se trata de reformar uma parte inaceitável do regime, mas pura e simplesmente de mudar o regime. Se por acaso caísse do céu a "transparência" que o dr. Cavaco deseja, metade da primorosa elite do nosso país marchava para a cadeia como um fuso.
Vasco Pulido Valente Público 07 de Outubro de 2007