domingo, julho 25, 2010

HÁ MAIS DESPORTO PARA ALÉM DO FUTEBOL

Portugal é campeão do mundo universitário de sevens, em râguebi.
A selecção nacional de râguebi masculina venceu hoje, no Estádio do Bessa, o Campeonato do Mundo Universitário de sevens após derrotar na final a Rússia por 35-17.
Público, 24.07.2010 - 19:48 David Andrade.
A Selecção Nacional Masculina Universitária alcançou hoje um resultado histórico ao sagrar-se campeã mundial na variante de sevens. Na final, Portugal derrotou a sua congénere russa por 35-27.
A Selecção Nacional Feminina Universitária, na sua primeira presença nesta competição, alcançou a terceira posição ao derrotar a sua congénere canadiana por 05-00.

sexta-feira, julho 23, 2010

NÃO INTERVIR É PECADO


“O Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social diz que gestores ganham "ordenados fabulosos" e pessoas que cometem actos lesivos de "milhões de euros" ficam sem castigo.
O presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social alertou que "a crise é tão grave" que Governo e oposição, patrões e sindicatos devem superar os conflitos "uns com os outros", porque isso "só provoca mais vítimas". 
 No final da reunião extraordinária do Conselho Consultivo da Pastoral Social, que se realizou em Lisboa, D. Carlos Azevedo, que é também bispo auxiliar de Lisboa, pediu a todos "mais responsabilidade social e política perante a crise" e "soluções corajosas" para a ultrapassar.
  "Todos têm um contributo a dar", enfatizou, considerando que numa época de crise os empresários têm a "obrigação moral em investir".
Sublinhou, contudo, que esse investimento desse ser feito em "bens verdadeiramente úteis" e não em "realidades virtuais" que estiveram na base da crise financeira mundial. Nessa linha, observou que é preciso "ultrapassar o capitalismo neoliberal", pois a crise é também uma "crise de valores". 
Desta reunião saiu o apelo da criação de um novo fundo para ser angariado pela Caritas e gerido pelas dioceses entre os mais necessitados.
D. Carlos Azevedo insistiu nas acções de combate às desigualdades e criticou fortemente vencimentos de alguns gestores e administradores.
A Comissão lembrou também que situações extremas de pobreza e fome podem conduzir à revolta e à violência, numa sociedade de desigualdades, em que gestores ganham "ordenados fabulosos" e pessoas que cometem actos lesivos de "milhões de euros" ficam sem castigo.”

D. Carlos Azevedo afirmou no “Jornal das Nove” da SIC Notícias, ontem 22-07-10,  que: “Os cidadãos devem formar uma consciência política e não intervir é pecado”.
Mas ca ganda comuna este D. Carlos Azevedo!

segunda-feira, julho 19, 2010

LÍNGUA "PROTUGUESA"

Prontus
Usar o mais possível. É só dar vontade e podemos sempre soltar um 'prontus'! Fica sempre bem.
Númaro
Também com a vertente 'númbaro'. Já está na Assembleia da República uma proposta de lei para se deixar de utilizar a palavra NÚMERO, a qual está em claro desuso. Por mim, acho um bom númaro!
Pitaxio
Aperitivo da classe do 'mindoím'.
Aspergic
Medicamento português que mistura Aspegic com Aspirina.
Alevantar
O acto de levantar com convicção, com o ar de 'a mim ninguém me come por parvo!... alevantei-me e fui-me embora!'.
Amandar
O acto de atirar com força: 'O guarda-redes amandou a bola para bem longe'.
Assentar
O acto de sentar, só que com muita força, como fosse um tijolo a cair no cimento.
Capom
Tampa de motor de carros que quando se fecha faz POM!

Destrocar Trocar várias vezes a mesma nota até ficarmos com a mesma.
Disvorciada
Mulher que se diz por aí que se vai divorciar.
É assim...
Talvez a maior evolução da língua portuguesa. Termo que não quer dizer nada e não serve para nada. Deve ser colocado no início de qualquer frase. Muito utilizado por jornalistas e intelectuais.
Entropeçar
Tropeçar duas vezes seguidas.
Êros
Moeda alternativa ao Euro, adoptada por alguns portugueses.
Falastes, dissestes...
Articulação na 4ª pessoa do singular. Ex.: eu falei, tu falaste, ele falou, TU FALASTES...
Fracturação
O resultado da soma do consumo de clientes em qualquer casa comercial. Casa que não fractura... não predura.
Há-des / Há-dem
Verbo 'haver' na 2.ª pessoa do singular e na 3.ª pessoa do plural: "Eu hei-de cá vir"; "tu há-des cá vir...", ..., "eles há-dem cá vir"...! Ai há-dem, há-dem!
Não confundir com o Golfo de Adém: http://www.infopedia.pt/$golfo-de-adem
Inclusiver
Forma de expressar que percebemos de um assunto. E digo mais: eu inclusiver acho esta palavra muita gira. Também existe a variante 'Inclusivel'.
Mô
A forma mais prática de articular a palavra MEU e dar um ar afro à língua portuguesa, como 'bué' ou 'maning'. Ex.: Atão mô, tudo bem?
Nha
Assim como Mô, é a forma mais prática de articular a palavra MINHA. Para quê perder tempo, não é? Fica sempre bem dizer 'Nha Mãe' e é uma poupança extraordinária.
Parteleira
Local ideal para guardar os livros de Protuguês do tempo da escola.
Perssunal
O contrário de amador. Muito utilizado por jogadores de futebol. Ex.: 'Sou perssunal de futebol'. Dica: deve ser articulada de forma rápida.
Prutugal
País ao lado da Espanha. Não é a Francia.
Quaise
Também é uma palavra muito apreciada pelos nossos pseudo-intelectuais... Ainda não percebi muito bem o quer dizer, mas o problema deve ser meu.
Stander
Local de venda. A forma mais famosa é, sem dúvida, o 'stander' de automóveis. O 'stander' é um dos grandes clássicos do 'português da cromagem'...
Tipo
Juntamente com o 'É assim', faz parte das grandes evoluções da língua portuguesa. Também sem querer dizer nada, e não servindo para nada, pode ser usado quando se quiser, porque nunca está errado, nem certo. É assim... tipo, tás a ver?

Foxes - Luz que sai de fontes de iluminação “Tipo” faróis.
Treuze
Palavras para quê? Todos nós conhecemos o númaro treuze.
Erário Público
Erário = Tesouro Público, logo, erário público = tesouro público público, ou tesouro público2 (elevado ao quadrado).
Texto que circula na Internet.

quinta-feira, julho 08, 2010

NOVOS CONCEITOS

O Rádio Clube Português, do grupo Media Capital Rádios (MCR), vai fechar e a decisão deverá ser comunicada ainda hoje aos colaboradores, apurou o PÚBLICO. Fonte do grupo confirmou que “o produto Rádio Clube Português vai ser descontinuado”.
Existem uma série de novos conceitos no léxico português. Eis alguns:
Colaborador = Trabalhador.
Recibo Verde = Contrato Individual de Trabalho sem direitos para os trabalhadores.
Produto Descontinuado = Encerramento de Posto de Trabalho com consequente despedimento de todos os “Colaboradores”.

sexta-feira, junho 18, 2010

PRIVATIZE-SE


«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo…

e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

quinta-feira, junho 10, 2010

DIA DE PORTUGAL


“Tenho lido ultimamente que o Sr. Presidente, como medida de austeridade para fazer frente à crise financeira, apelou a todos os Portugueses a não passarem férias fora do país. Baseando-me nesta informação, deduzo que o Sr. Presidente não está bem informado sobre a situação financeira da maior parte dos cidadãos que representa. Como tal gostaria de aproveitar esta ocasião para acalmá-lo, tirando-lhe esta preocupação, pois a maioria dos Portugueses, não vai viajar tanto para o estrangeiro este ano, assim como sempre o fez, porque o povo que o Sr. Presidente da República representa, tem, teve e pelo que me parece, irá sempre ter os ordenados mais baixos da Europa ocidental. Segundo o que li, estes europeus ganham mais de 55 % do que os portugueses comuns. Como tal encontram-se, na grande parte dos casos, impossibilitados em passar férias no estrangeiro.
Talvez também não esteja informado que, em contrapartida, os nossos governantes, seus familiares, amigos e lacaios têm ordenados ostensivamente superiores, por vezes mais que o dobro dos ordenados dos governantes do resto da Europa Ocidental. Como tal aconselhava ao Sr. Presidente da República do pobre povo português a apelar, mas dirija por favor o seu apelo só aos seus ministros, funcionários, famílias e lacaios, pois só estes têm o poder de compra necessário para passarem férias fora de Portugal. O Português comum – com isto refiro-me àqueles portugueses “sem contactos especiais” e que não quiseram emigrar – nem gozar férias no próprio país podem. Estes passam-nas em casa e se por acaso tiverem a sorte de ter um quintal onde possam apanhar uns banhinhos de sol, bebendo a cervejinha do Continente, já podem se dar por grandes sortudos. Por isso, Senhor Presidente da República Portuguesa, guarde estas palavras só para si e para aqueles mais abençoados pelas mãos de “Deus”, porque muitos sentem-se gozados e estes apelos podem ser prejudiciais para uma possível próxima candidatura.
Cumprimentos saudosos de uma cidadã portuguesa que abandonou o seu País por ter deixado de acreditar que os nossos políticos estejam interessados em proporcionar uma vida digna aos seus cidadãos. Fartei-me da pobreza portuguesa, aqui não sou rica, mas tenho acesso a determinadas comodidades que num país qualquer europeu são tidas como normais e que em Portugal só têm acesso, aqueles portugueses “com amigos especiais”. O padrão que mede a qualidade do trabalho de um político é a qualidade de vida do cidadão e não o número de funcionários e privilégios que estejam ao dispor do Sr. Presidente e seus Ministros.”

Texto da autoria de uma imigrante portuguesa na Alemanha.

quarta-feira, junho 02, 2010

SARGENTOS DE PORTUGAL

Divisa de 1.º Sargento Electrotécnico de Marinha (Curso de 3 anos)

A vez do movimento dos sargentos
Quando se fala em contestação nas fileiras, as atenções viram-se eles. Breve retrato de uma categoria de militares.
No 10 de Junho, vou estar presente no desfile, em Faro», garante o sargento-mor na reserva José Santos Gomes. E essa é uma promessa para valer. Nem que apertem as dores nas cruzes, que atribui aos incontáveis quilómetros percorridos dentro de carros de combate, durante os 35 anos de serviço no Exército. E aparecerá todo aperaltado: de farda n.º 1, botas altas e pingalim. E, claro, de costas direitas, não fosse ele um dos decanos de uma classe que se considera a coluna vertebral das Forças Armadas (FA).
Passarinho (é essa a sua alcunha pela qual quase todos o conhecem em Santarém) estará lá para cumprimentar o Presidente da República e exibir, com orgulho, as divisas que lhe conferem a autoridade de sargento-mor, o posto cimeiro daquela categoria.
Entalados entre os oficiais e as praças, os sargentos saíram do anonimato, há perto de 20 anos, quando a lei passou a permitir que os militares se organizassem em associações socioprofissionais.
Desde então, quando se fala em contestação fardada, em cartas de protesto, petições e acções de rua contra a «degradação da condição militar», aparecem na linha da frente representados pela Associação Nacional de Sargentos (ANS).
De acordo com os especialistas, esta é a de maior coesão e mais organizada das associações militares. «A classe de sargentos, pela natureza da sua função, permite-se não ter tantas contradições internas, o que a leva a ser mais coesa», explica Luís Alves de Fraga, o coronel na reserva e docente universitário que, nos anos 80, introduziu o estudo da Sociologia Militar na Academia da Força Aérea. Entre o oficialado português, há mesmo quem arrisque dizer que se ocorresse outro 25 de Abril, esse seria desencadeado pelos sargentos e não pelos capitães.
Considerações à parte, a verdade é que os sargentos se empenharam nas revoluções dos últimos 120 anos. Não é por acaso que assinalam o 31 de Janeiro como Dia Nacional do Sargento. Trata-se de homenagear os camaradas que lideraram o levantamento republicano de 1891, no Porto. E no 5 de Outubro de 1910, foram eles que aguentaram a Rotunda, em Lisboa, empurrando para a frente o jovem oficial Machado dos Santos, depois do suicídio do almirante Carlos Cândido dos Reis (que liderava a revolta republicana).
Difícil será dizer se, aos 75 anos, o sargento-mor Passarinho se voltaria a meter numa dessas. É que das revoluções já teve a sua conta. Este mecânico de carros de combate marcou presença, na madrugada da Primavera de 1974, em que Salgueiro Maia, vindo de Santarém, marchou sobre Lisboa, ajudando a pôr fim a quase cinco décadas de ditadura. Sem o então primeiro-sargento na desempanagem, o histórico capitão podia não ter chegado ao Largo do Carmo, para obrigar Marcelo Caetano a render-se.
A partir daí (e isso depois de três comissões em África, durante a Guerra Colonial), Passarinho esteve em todas, do 11de Março ao 25 de Novembro. E alinhou sempre que Salgueiro Maia precisou de contar com o seu desembaraço.
MAIS SOFISTICADOS
Tradicionalmente, o sargento é o graduado que mais de perto lida com as praças. «Se o sargento não for um líder inteligente, que se sabe colocar entre o oficial de quem recebe as ordens e as praças a quem as transmite, a execução pode falhar redondamente», destaca Alves de Fraga. «Nos chamados comandos intermédios o bom desempenho da função fica a dever-se muito à colaboração dos sargentos», afirma o coronel, ele próprio filho e neto de sargentos da Armada.
Para perceber as mudanças das últimas décadas na classe ao longo das últimas décadas, basta ouvir o sargento-mor Gomes: o rótulo de «barriganas e bêbedos» já não cola. «Agora, a instrução é outra», salienta, endireitando as costas a fim de posar para a fotografia.
Com efeito, muitos dos actuais sargentos são licenciados. António Lima Coelho, presidente da ANS fala em «centenas». Não admira, a sofisticação técnica dos equipamentos militares tornou a formação muito mais exigente.
E a classe tem produzido exemplos de sofisticação técnica. E o caso do primeiro-sargento António José Rodrigues. Aos 44 anos, com um mestrado em Filologia Árabe e Ciências do Islão, é um dos maiores especialistas da NATO em questões islâmicas em ambiente bélico. Autor de vários livros, assina o guia de referência da Aliança para o mundo islâmico (Public Information in Arabic Countries), e é docente na Escola da NATO, em Oberammergau, na Alemanha. Ainda na semana passada, durante uma visita à Escola de Sargentos do Exército (nas Caldas da Rainha) foi o próprio ministro da Defesa, Augusto Santos Silva, quem destacou a centralidade dos sargentos na organização militar como categoria essencial à operacionalidade das FA. O ministro salientou também a importância de se investir numa formação «qualificada, moderna e integral».
ESCOLIOSES E HÉRNIAS
Lima Coelho fala, igualmente, do maior grau de capacidades e competências exigido presentemente a quem quer seguir a carreira das armas como sargento.
«Quando um jovem com o 12. ° vai ao balcão de recrutamento e é colocado perante as hipóteses de se candidatar ao curso de sargentos ou à Academia Militar (para oficiais), não terá dificuldade em escolher a segunda. O grau de exigência no acesso a uma e outra é muito semelhante», diz.
E, pegando na analogia da coluna vertebral, afirma que essa tem sido maltratada. Ironiza, ligando alguns dos problemas da classe com escolioses e hérnias discais. Lamenta, entre outros aspectos, que, no caso dos sargentos, a exigência não seja compensada, tanto em reconhecimento como a nível remuneratório. E dá exemplos: o salário bruto de um jovem segundo sargento é de 1 200 euros brutos e o de um sargento-mor, posto a que poucos chegam, de 1500. Para se passar de um a outro posto, é preciso fazer um percurso de três décadas.
Mas não reside apenas na remuneração o motivo pelo qual os sargentos se mobilizam e se colocam na linha da frente da contestação dos militares. O presidente da ANS fala, também, nas dificuldades de muitos para verem as suas licenciaturas reconhecidas. Exemplos disso são os enfermeiros e técnicos de diagnóstico e terapêutica integrados nos três ramos das FA. Há anos que reclamam a entrada na carreira de oficiais e já avançaram com uma acção administrativa contra o Ministério da Defesa, nos tribunais. Estão nesta situação cerca de 500 sargentos do quadro permanente no activo - um em cada 20.
Os problemas de classe são conjunturais e por muito que a situação nos quartéis tenha mudado desde que Passarinho acompanhou Salgueiro Maia, a essência da função do sargento mantém-se praticamente inalterada: a de correia de transmissão entre quem dá as ordens e quem as executa. É que, conclui Luís Alves de Fraga, «por trás de uma boa ordem bem executada, pode estar sempre um bom sargento».

FRANCISCO GALOPE in  Visão
2 de Junho de 2010