quarta-feira, novembro 01, 2006

FDS - Líderes do Século XX - XXXII - Khomeini

Líder religioso supremo ("ayatollah") e chefe de estado iraniano, Ruhollah Khomeini nasceu em 1900, numa localidade próxima do Teerão, no seio de uma família Shiita. Apesar de ser uma minoria no Islão, o Shiismo é a religião oficial do Irão.
Ruhollah Khomeini significa «inspirado por Deus», um desígnio que acompanhou o líder religioso desde muito cedo.
Apesar da sua dedicação ao Shiismo, Khomeini, tal como o seu pai, trocou os estudos teológicos pela carreira de jurista (Islâmico). Era ainda novo quando se tornou professor de um seminário e o activismo que o viria a caracterizar ainda não era notório. Para poder criticar, Ruhollah Khomeini preferiu, entre 1920 e 1940, observar passivamente a atitude do xá Reza Pahlavi que, à frente dos destinos iranianos, promovia a secularização e a perda de privilégios do Clero.
Nessa altura, Khomeini era discípulo do membro mais alto da classe clerical do Irão, Ayatollah Mohammed Boroujerdi, um defensor da aplicação da religião ao poder. E foi com a morte de Boroujerdi, em 1962, que Ruhollah Khomeini começou a revelar a sua sabedoria e a sua faceta incómoda, conseguindo reunir muitos seguidores, que o admiravam por ser um antagonista de língua afiada ao regime do xá. Ele era o novo "Ayatollah", o novo líder religioso supremo.
Khomeini sentia-se à vontade com a demagogia populista. Denunciou Reza Pahlavi pelos seus laços com Israel, alegando que os judeus se preparavam para invadir o Irão.
Como consequência dos contínuos ataques que fazia ao monarca, Ruhollah Khomeini foi afastado para a Turquia, em 1964, sendo-lhe, depois, permitido instalar-se em An Najaf, a cidade sagrada dos Shiitas, situada no Iraque.
Ao contrário do que o Shah pretendia, Khomeini não foi esquecido. No Iraque, ele recebia iranianos chegados de vários pontos do Médio Oriente, e enviava para o Irão cassetes que continham sermões que eram, depois, ouvidas em bazares. Foi no exílio que Khomeini se tornou no reconhecido líder da oposição ao xá.
Em An Najaf, Ruhollah Khomeini também deu forma a uma doutrina revolucionária. Historicamente, o Shiismo exigia do Estado que se mantivesse aberto a uma orientação religiosa. Todavia, o exilado, condenando o secularismo do Shah e a sua servidão aos Estados Unidos, atacou a legitimidade do regime, apresentando como alternativa um Estado clerical.
No final de 1978 realizaram-se no Irão grandes manifestações de rua que reivindicavam a abdicação de Reza Pahlavi. Estes fenómenos levaram à implosão governamental. Estudantes, a classe média, mercadores, trabalhadores e o exército (os pilares da sociedade) abandonaram o regime. Washington era a única ajuda do xá, que acabou por abandonar o Irão em Janeiro de 1979.
Ruhollah Khomeini, a viver em França por ter sido expulso do Iraque em 1978, regressou ao seu país duas semanas depois e foi recebido em apoteose. Aclamado como líder, confirmou a sua autoridade e iniciou o trabalho de campo que levaria à implementação de um Estado clerical, a república Islâmica. Cancelou uma experiência parlamentarista e ordenou a formação de uma assembleia para elaborar uma constituição Islâmica. Os delegados projectaram um Estado que Khomeini iria comandar e que o Clero iria gerir, reforçando as leis religiosas.
A sua ideologia conservadora opunha-se aos avanços e tendências ocidentais, declarando "guerra" a tudo o que viesse do Ocidente e especialmente dos EUA.
Em 1979, o líder Shiita e um grupo de anti-americanos assaltaram a embaixada dos Estados Unidos em Teerão e fizeram 52 reféns durante mais de um ano.
Na última década da sua vida, Ayatollah Khomeini consolidou o seu poder. As burocracias do Estado estavam na mão do Clero; as escolas e os meios de comunicação social foram inundados pelas suas doutrinas pessoais. Depois de dispensar os serviços militares e os de segurança, reestruturou-os para assegurar a sua lealdade.
Khomeini lançou igualmente uma campanha para, como ele próprio dizia, "exportar" a revolução para os países muçulmanos vizinhos. As provocações que fez neste sentido levaram-no a uma guerra contra o Iraque (1980-1988), que durou oito anos, com o custo final de oito milhões de vidas.
Na altura em que os seus seguidores pareciam mais desmoralizados, instituiu o "fatwa", uma lei que condenava à morte todos os que criticassem o regime. Khomeini aplicou esta lei ao escritor Salman Rushdie pelas supostas heresias contidas na sua obra "Versículos Satânicos", embora até hoje a sentença não tenha sido executada.
Ayatollah Khomeini morreu em 1989, meses depois de ter condenado Rushdie à morte.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXXII - Suharto

Mohamed Suharto

General e político indonésio nascido em 1921. Quando a Indonésia se tornou independente, em 1950, Suharto ocupava o lugar de tenente-coronel. Valendo-se do crescente anticomunismo do Exército, dirigiu em 1965 um golpe de Estado que destituiu o presidente Sukarno. Assumindo a Presidência em 1966, Suharto levou a cabo uma perseguição aos comunistas e aos opositores políticos em geral, em toda a extensão do país.
Suharto instituiu uma política por ele designada de Nova Ordem. Encorajou o investimento ocidental na Indonésia, revigorou a economia e expandiu a produção de petróleo. A par do desenvolvimento económico, porém, restringiu fortemente as liberdades civis, praticando uma política autoritária, conservadora, nacionalista e anticomunista. No quadro de um regime de ditadura, foi repetidamente reeleito sem oposição. A situação política interna não impediu a Indonésia de se afirmar como uma potência na Ásia nem de se relacionar com aparente normalidade no âmbito de instituições internacionais como o Movimento dos Países Não-Alinhados.
Em 1975, Suharto mandou invadir Timor Leste, território sob administração portuguesa. Desde essa altura, perseguiu violentamente a população local que se mostra favorável à autodeterminação. Em causa estão elevados interesses económicos, nomeadamente o petróleo do Mar de Timor. Abandonou a Presidência do país em Maio de 1998 na sequência de manifestações populares de revolta contra o sistema ditatorial e das crescentes pressões internacionais desencadeadas pela sistemática violação dos direitos humanos na Indonésia e em Timor.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXXI - Pinochet

Augusto Pinochet

Militar e político chileno nascido em 1915. Formou-se pela Academia Militar de Santiago do Chile em 1936, prosseguindo a sua carreira nas Forças Armadas até atingir o posto de general.
Em Setembro de 1973, planeou e liderou o golpe de Estado no qual o presidente Salvador Allende perdeu a vida e o Governo democraticamente eleito foi deposto. Pinochet foi nomeado presidente da nova Junta Governativa e de imediato mandou silenciar a oposição (estima-se que tenham sido presas 130 000 pessoas), submetendo todo o país ao controlo rigoroso de militares que lhe eram fiéis. Em Junho do ano seguinte assumiu sozinho o poder no Chile.
Em 1981 foi elaborada uma nova Constituição, onde se podia ler que Pinochet seria o presidente do Chile por mais oito anos. Enquanto esteve no poder, impôs um regime férreo, espalhando o terror e mantendo um controlo cerrado sobre os opositores políticos. Pressionado pela comunidade internacional, cumpriu em 1989 a promessa de realizar um plebiscito, no qual foi rejeitado pelo eleitorado (55% dos votantes exprimiram-se contra a sua permanência no poder). O democrata-cristão Patricio Aylwin veio a ser eleito presidente, mas Pinochet conseguiu manter-se como o mais alto responsável pelas Forças Armadas do país até Março de 1998, onde ocupou o cargo, por ele criado, de senador vitalício.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXX - Khadaffi

Muhammar Khadaffi

Militar líbio, Muhammar Khadaffi nasceu em 1942, na Líbia. Filho de um beduíno, o seu nascimento aconteceu numa tenda no deserto líbio. Muçulmano devoto e nacionalista árabe, cedo começou a planear uma estratégia que conduzisse à queda da monarquia na Líbia. Licenciou-se pela Academia Militar em 1965 e continuou a planear o golpe com a ajuda de militares. Em 1969, com o posto de capitão, Khadaffi depôs o rei Idris. Foi nomeado comandante-chefe das Forças Armadas e presidente do novo corpo governativo da Líbia.
A sua orientação política nacionalista, dentro do chamado socialismo islâmico, depressa se deu a conhecer. Em 1970, Khadaffi fechou as bases militares norte-americanas e britânicas existentes no país e expulsou as comunidades judaicas. Em 1973 nacionalizou as companhias estrangeiras de petróleo que estavam sediadas na Líbia. À luz dos princípios islâmicos, declarou ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar. A repressão dos opositores foi feita implacavelmente.
Na ordem externa, Khadaffi tornou-se uma das personalidades mais problemáticas do nosso tempo. O seu Governo esteve implicado em vários golpes de estado fracassados no Egipto e no Sudão, e as suas tropas intervieram na longa guerra civil do Chade. Por outro lado, financiou grupos extremistas em diversos países, que se encarregaram de desencadear operações de terrorismo no Ocidente, em especial contra os Estados Unidos da América.
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domingo, outubro 29, 2006

Ironias - LXXXVI - Caricaturas

Fases do ensino em Portugal


1ª fase (antes de 1974): O aluno ao matricular-se ficava automaticamente chumbado. Teria de provar o contrário ao professor;

2ª fase (até 1992): O aluno ao matricular-se arriscava-se a passar;

3ª fase (actual): O aluno ao matricular-se já transitou automaticamente de ano, salvo casos muito excepcionais e devidamente documentados pelo professor, que terá de incluir no processo, obrigatoriamente um "curriculum vitae" extremamente detalhado do aluno e nalguns casos da própria família;

4ª fase (em vigor a partir de 2007): O professor está proibido de chumbar o aluno; nesta fase quem é avaliado é o próprio professor, pelo aluno e respectiva família, correndo o risco quase certo de chumbar.

EFEMÉRIDES - V - ARPANET

ARPANET (Arpanet, de Advanced Research Projects Agency Network)

Rede de computadores criada em 29 de Outubro de 1969 pelo Departamento de Defesa norte-americano, interligando, na altura, instituições militares, e à qual, em meados de 1970, várias universidades aderiram, dando origem à actual Internet.

FDS - Líderes do Século XX - XXIX - Palme

Olof Palme

Estadista sueco, nasceu em 1927, em Estocolmo e faleceu em 1986, vítima de assassinato ainda por esclarecer. Foi líder do Partido Trabalhista Social-Democrata da Suécia e primeiro-ministro por duas vezes (1969-1976 e 1982-1986). Atacou a política norte-americana no Vietname e aceitou desertores do Exército americano que procuravam refúgio na Suécia. Esta decisão conduziu a um período de relações tensas entre os dois países. Olof Palme negou sempre tratarem-se de exilados políticos, uma vez que provinham de um país livre. Por outro lado, foi sempre um homem atento aos problemas da segurança europeia. Foi ainda mediador, como enviado das Nações Unidas, na Guerra Irão-Iraque.
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FDS - Líderes do Século XX - XXVIII - Brandt

Willy Brandt

Político alemão, de nome verdadeiro Herbert Ernst Karl Frahm, nascido em 1913 e falecido em 1992, líder do Partido Social-Democrata de 1964 a 1987 e chanceler da República Federal da Alemanha de 1969 a 1974. Foi membro activo da resistência anti nazi, na Noruega, a partir de 1933. Foi ainda um activo jornalista. Em 1957 foi presidente da Câmara de Berlim Ocidental. Tornou-se internacionalmente conhecido quando a União Soviética exigiu a desmilitarização da RFA, em 1958, e quando o muro de Berlim foi construído, em 1961. Entre 1966 e 1969 foi ministro dos Negócios Estrangeiros e em 1969 foi chanceler da República Federal da Alemanha. Introduziu a chamada Ostpolitik, tentando a reconciliação entre a Europa Ocidental e a Europa de Leste. Em 1971 foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz. Em 1974 viu-se obrigado a demitir-se do cargo em consequência de um caso de espionagem. Entre 1976 e 1992 foi presidente da Internacional Socialista.
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FDS - Líderes do Século XX - XXVII - Dubceck

Alexander Dubcek

Político checoslovaco, nascido em 1921 e falecido em 1992, foi primeiro-secretário do Partido Comunista da Checoslováquia em 1968-1969, mas a sua política de liberalização (a chamada Primavera de Praga) levou à invasão e ocupação do país pelas forças do Pacto de Varsóvia em Agosto de 1968, e ao seu afastamento do poder. Depois da queda do regime comunista (Dezembro de 1989), foi eleito para a Assembleia Nacional de Praga.
Em 1989, o Parlamento Europeu homenageou Alexander Dubcek com o Prémio Sakharov, salientando o seu papel como um dos iniciadores da renovação do antigo bloco comunista e figura principal do movimento da reforma Primavera de Praga.
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