
SOCIÓLOGA TRABALHA HÁ 3 ANOS NA PSP SEM SALÁRIO
2008/02/10 11:19Lusa, In PortugalDiário
Mónica criou projecto-piloto de combate à delinquência juvenil
A socióloga que criou o projecto-piloto de combate à delinquência juvenil da PSP, trabalha há três anos na polícia sem salário. Farta de esperar por um contrato, ponderá abandonar o programa, segundo avança a Lusa. (...)
Mónica Santos, de 28 anos, entrou para a secção de Estudos Criminológicos da PSP em 2005 para realizar um estágio profissional não remunerado. Na altura, aconteceu o «arrastão» na praia de Carcavelos, o que levou a Direcção Nacional da polícia a solicitar-lhe um estudo sobre os comportamentos juvenis de risco e suas motivações.
A socióloga juntou-se ao chefe João Pais, com 20 anos de carreira, 16 dos quais nas brigadas anti-crime, iniciando um projecto de investigação em oito escolas problemáticas da Linha de Sintra, que envolveu um inquérito a cerca de 500 jovens.
O estudo não deixou dúvidas: quase 100 miúdos foram identificados como estando em situação de risco, próximos de iniciar um caminho de delinquência e marginalidade.
Foi então que a dupla criou o projecto «Um Amigo Hoje, Um Futuro Amanhã», que já envolveu mais de nove mil miúdos do concelho da Amadora.
No início de 2006, quando acabou o estágio, o projecto estava em franco desenvolvimento. A PSP pediu-lhe que ficasse, prometendo-lhe um contrato cuja celebração foi sendo sucessivamente adiada.
«Primeiro, era preciso esperar pelo Orçamento de 2007, depois pela aprovação de uma nova legislação sobre avenças, depois pelo Orçamento de 2008. Era só burocracia. Agora faz três anos e estou a chegar ao limite» desabafa.
«Quando eu vou aos bairros problemáticos, quando vou visitar as escolas, é sempre do meu bolso, ou seja, do bolso da minha mãe, porque eu não tenho nada», confessa.
Em declarações à Lusa, o subintendente Alexandre Coimbra, chefe da secção de Estudos Criminológicos, não poupa elogios à iniciativa, que afirma ter duas grandes metas: «Um objectivo nacional, que é o de reduzir a delinquência juvenil, e um objectivo interno, que é o de contratar a Mónica, em definitivo».
Se isso não acontecer nos meses mais próximos, a socióloga garante que é com «enorme tristeza» que terá de abandonar o projecto.