quinta-feira, novembro 02, 2006

FDS - Líderes do Século XXI - III - Bush

George W. Bush

Homem político e de negócios norte-americano, George Walker Bush nasceu a 6 de Julho de 1946, em New Haven, no Connecticutt. É o filho mais antigo Presidente (41.º) dos EUA George Bush. Ainda jovem, foi viver com os pais para Odessa, no Texas, mas em 1961 mudou-se para Andover, no Massachussets, para ingressar na Philips Academy, seguindo as passadas do pai. Três anos mais tarde vai estudar para a Yale University, no Connecticutt, onde tirou o bacherlato em História no ano de 1968. Nos anos 70 trabalhou em campanhas eleitorais na Florida e no Alabama e em 1975 terminou um MBA na Harvard Business School em Massachusets. Em 1978 concorreu a um lugar na Câmara dos Representantes dos EUA mas não teve sucesso. A partir de então dedica-se ao negócio da indústria petrolífera.
Em 1987 mudou-se para Washington DC para ajudar na campanha eleitoral do pai e de seguida voltou ao Texas, onde se tornou uma das figuras mais importantes da Texas Rangers Baseboll Team.
Começou a interessar-se seriamente em seguir a carreira política e concorreu às eleições para Governador do Texas em 1995, ano em que ganhou, tendo sido reeleito em 1998. Durante o cargo, George W. Bush recusou os vários pedidos (inclusive do Vaticano) de anulação da condenação à morte para aquela que se tornou a primeira mulher a sofrer a pena de morte no Texas desde a Guerra Civil Americana.
Um ano após a sua reeleição, candidatou-se às eleições presidenciais pelo Partido Republicano. O seu maior rival era Al Gore do Partido Democrático. O período pós-eleitoral foi bastante atribulado mas venceu as eleições. Tornou-se o 43.º Presidente dos EUA a 20 de Janeiro de 2001.
No seu programa presidencial, deu prioridade ao sistema educativo providenciando algumas alterações de fundo.
Em Setembro de 2001, os EUA foram alvo do maior ataque terrorista. O ataque provocou a destruição quase total do World Trade Center, em Nova Iorque, e parcial do Pentágono, em Washington, tendo provocado um avultado número de mortes, estragos materiais e prejuízos financeiros. George W. Bush autorizou de imediato as buscas pelos responsáveis do atentado e lançou uma campanha internacional anti-terrorismo, a que chamou "Justiça Infinita".
Na sequência da campanha, George Bush pressionou Saddam Hussein a provar que o acordo de desarmamento do Iraque, feito no final da Guerra do Golfo, tinha sido cumprido. Em Novembro de 2002, após alguma relutância, Saddam consentiu que inspectores de armamento da ONU entrassem no país para proceder a uma vistoria. Contudo, passados alguns meses de inspecções, George Bush acusou Saddam de não estar a cumprir os procedimentos necessários para um eficiente trabalho por parte dos membros da ONU, alegando que o presidente iraquiano estava a esconder armamento proibido, nomeadamente armas químicas e biológicas.
Em Março de 2003, ordenou o ataque ao Iraque, depois de um ultimato para que Saddam Hussein e a sua família abandonassem o poder e o país. Deu-se assim o início da segunda Guerra no Iraque, com a intervenção coligada de tropas norte-americanas e britânicas, mesmo sem a aprovação da Organização das Nações Unidas.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XXI - II - Rumsfeld

Donald Rumsfeld

Político e governante norte-americano, nasceu a 9 de Julho de 1932, em Chicago, no Estado de Illinois, nos Estados Unidos da América.
Donald Rumsfeld formou-se em História na Universidade de Princeton, no Illinois, mas depois seguiu carreira militar na Marinha. Esteve três anos ao serviço como piloto e instrutor de voo, passando depois para a reserva, onde cumpriu apenas funções administrativas.
Depois Donald Rumsfeld foi, sucessivamente, assessor parlamentar no Congresso, em 1957, e executivo de investimento na banca privada.
Dedicou-se então à política e em 1962, nas listas do Partido Republicano, foi pela primeira vez eleito deputado pelo Estado de Illinois, feito que repetiu mais duas vezes até 1969. A partir desse ano trocou o Congresso pelos gabinetes governamentais, tendo trabalhado nos departamentos do Tesouro e da Defesa. Foi também conselheiro do presidente Nixon.
Em 1975 foi nomeado Secretário de Defesa dos Estados Unidos da América, o mais jovem de sempre na história do país. Na altura o presidente era Gerald Ford.
Depois de abandonar a liderança do Departamento de Defesa em 1977, voltou a trabalhar em empresas privadas, embora sempre ligado ao Governo. Assim, na década de 80 representou os Estados Unidos da América (EUA) nas Nações Unidas, participou em Conselhos Presidenciais sobre Controlo de Armas, Sistemas Estratégicos, Relações Bilaterais entre EUA e Japão e Serviços Públicos. Foi também membro da Comissão Económica Nacional e o enviado especial dos EUA ao Médio Oriente durante a presidência de Ronald Reagan, que esteve no poder entre 1981 e 1989.
Donald Rumsfeld dirigiu ainda a comissão bi-partidária sobre mísseis balísticos.
Em 1998 apresentou um estudo onde revelava que as maiores ameaças para a segurança dos EUA eram provenientes de países como a Coreia do Norte e o Irão.
Em 2001, Donald Rumsfeld, desta vez por iniciativa de George W. Bush, o presidente norte-americano, foi de novo nomeado Secretário de Defesa. Tornou-se no responsável pela planificação de uma nova estratégia militar norte-americana para o século XXI.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XXI - Cheney

Dick Cheney

Richard Bruce Cheney (nascido em 30 de Janeiro de 1941), mais conhecido como Dick Cheney, é um político americano e empresário associado ao Partido Republicano. Actualmente Cheney é o 46º Vice-Presidente dos Estados Unidos.

FDS - Líderes do Século XX - XXXV - Milosevic

Slobodan Milosevic

Líder nacionalista sérvio nascido em 1941, iniciou a sua carreira política como militante do Partido Comunista jugoslavo. Estudou Direito na Universidade de Belgrado e chegou a administrador do maior banco desta cidade. Em 1984 regressou às lides partidárias, para dois anos depois se tornar presidente da Liga Comunista da Sérvia e em 1989 presidente desta república jugoslava.
Ambicionando alargar o controle territorial sérvio, fez deslocar efectivos militares para a Croácia e para a Bósnia-Herzegovina em 1992, o que foi um passo decisivo para o deflagrar da Guerra na Jugoslávia. Em última análise, o objectivo de Milosevic seria criar um estado sérvio que incluísse territórios (como o Kosovo e a Vojvodina) em que habitavam populações sérvias, ainda que aí fossem minoritárias.
Milosevic surgiu assim na cena política internacional como um líder controverso. Foi censurado por apoiar as milícias nacionalistas sérvias que combateram em diversas repúblicas da antiga Jugoslávia e tem sido também acusado de pactuar com muitas das atrocidades cometidas nessa guerra.
Com a fundação, em 1992, da nova Federação Jugoslava, constituída pela Sérvia e pelo Montenegro, Milosevic tornou-se o seu máximo dirigente, tendo sido eleito presidente em Julho de 1997.
Em Maio de 1999 foi indigitado réu por crimes de guerra praticados no Kosovo pelo tribunal internacional de Haia.
Nas eleições de 24 de Setembro de 2000, foi derrotado pelo seu principal opositor - Vojislav Kostunica - mas a comissão eleitoral decidiu convocar uma segunda volta das mesmas, perante o protesto da oposição que alegou fraude eleitoral. Por essa razão, os líderes da oposição apelaram à população para uma campanha de desobediência civil que obrigasse Milosevic a aceitar a suposta derrota nas eleições. Estas manifestações contra Milosevic levaram ao seu afastamento do poder em Outubro de 2000 e ao reconhecimento da vitória de Kostunica, o seu rival político. Em Fevereiro de 2002 iniciou-se o processo de Slobodan Milosevic no Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia para a ex-Jugoslávia. O ex-presidente jugoslavo foi transferido para a prisão do TPI depois de ter sido acusado de genocídio e crimes contra a humanidade nos conflitos da Croácia que ocorreram de 1991 a 1995, na Bósnia de 1992 a 1995 e no Kosovo em 1998 e 1999.
© 2004 Porto Editora, Lda.

quarta-feira, novembro 01, 2006

FDS - Líderes do Século XX - XXXIV - Pol Pot

Pol Pot

Chefe do antigo regime cambojano dos Khmers Vermelhos, Pol Pot nasceu a 19 de Maio, provavelmente entre 1925 e 1928. Era filho de uma família de camponeses e estudou num mosteiro budista. Nos anos 40 juntou-se à resistência anti-francesa liderada por Ho Chi Minh. Em 1949 tornou-se membro do Partido Comunista Cambojano e viajou para Paris, onde participou em acções revolucionárias. Regressou ao Camboja em 1953, aí passando doze anos a preparar um movimento de guerrilha para o assalto ao regime do rei Sihanouk, o que viria a acontecer em 1975.
Uma vez no poder, Pol Pot instituiu um regime radical, empreendendo um verdadeiro genocídio no seio do seu próprio povo. Estima-se que durante o seu regime totalitário tenham morrido 2 milhões de cambojanos, o que corresponde aproximadamente a um quarto da população do país. O processo de eliminação em massa visou em primeiro lugar as populações urbanas e depois todos os suspeitos de actividades contra-revolucionárias ou de qualquer tipo de desvio ao Ocidente.
Em 1979, o regime dos Khmers foi derrubado pela invasão das tropas vietnamitas e Pol Pot foi obrigado a refugiar-se na selva. Daí continuou a liderar e a manobrar o movimento de guerrilha, recusando-se a negociar a paz com o Governo. Em 1981 a rádio oficial do movimento anunciou o seu abandono formal da chefia dos Khmers.
A partir de então, diversos rumores, em várias alturas, deram Pol Pot (que praticamente não voltou a ser visto em público) como morto. Sendo escassas as informações que chegam ao exterior acerca do que se passa no movimento dos Khmers, sabe-se que nem sempre a posição do líder parece ter sido sólida. O culminar dos problemas deu-se em 1997. Na sequência de dissensões internas na organização - Pol Pot terá tentado fazer uma purga -, foi sujeito pelos seus correligionários a um julgamento popular, na selva cambojana, e condenado a prisão perpétua.
Pol Pot morreu em Abril de 1998.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXXIII - Saddam

Saddam Hussein

Político iraquiano nascido em 1937, na localidade de Tikrit, no Iraque. Nos anos 60, depois de ter participado num golpe de estado falhado, esteve preso e exilado durante vários anos. Com um volte-face do regime, veio depois a ocupar cargos partidários e governamentais de grande importância.
Tornou-se o líder máximo do Iraque em 1979. Governou o país de forma despótica, entregando quase todos os cargos de responsabilidade a pessoas da sua família, numa lógica de gestão do poder político que verdadeiramente assegurava a sua concentração. Fez uso da polícia secreta para suprimir impiedosamente a oposição interna, e impôs ao povo, através de uma máquina de propaganda poderosa, o culto da sua personalidade.
No domínio da política externa, envolveu-se em conflitos sucessivos com os países vizinhos, na ânsia de conquistar a supremacia entre as nações do Médio Oriente e de ter acesso às grandes reservas de petróleo da região. Em 1980 lançou um ataque aos campos petrolíferos do Irão que degenerou numa guerra que se arrastou até 1988. Mais tarde, em Agosto de 1990, Saddam ocupou o Koweit, desencadeando aquela que ficaria conhecida como a Guerra do Golfo, mais uma vez na tentativa de tomar as reservas petrolíferas da região. O acto mereceu a condenação das Nações Unidas, que, através do Conselho de Segurança, decretaram um embargo comercial ao Iraque. Hussein ignorou os apelos e permaneceu com as suas forças no Koweit. A guerra teve início a 16 de Janeiro de 1991 e, em pouco tempo, Saddam saiu mais uma vez derrotado.
Em 1996, alguns familiares próximos de Saddam, com altas responsabilidades na governação no Iraque, procuraram afastá-lo do poder, contando para isso com a colaboração de certos países vizinhos. No entanto, Saddam acabou por anular a oposição, mandando mesmo aniquilá-los.
Em 2001, o seu filho Qusay Hussein tornou-se líder do partido Baath, indicando ser o escolhido para vir a suceder a Saddam.
Na sequência dos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 aos EUA, o regime iraquiano foi considerado perigoso para a segurança dos norte-americanos e seus aliados. Pressionado, Saddam aceitou as inspecções às instalações militares iraquianas, supervisionadas pela ONU, com o fim de confirmar a não existência de armas nucleares e biológicas de destruição maciça. A sua deficiente colaboração com os inspectores conduziu, em Março de 2003, a novo conflito entre o Iraque e uma coligação ocidental liderada pelos Estados Unidos e o Reino Unido. Na sequência desta guerra, o seu regime foi deposto e Saddam foi dado como desaparecido. A 13 de Dezembro de 2003 soldados norte-americanos capturaram Saddam Hussein numa casa perto de Tikrit, a sua cidade natal.
Saddam Hussein dedicou-se também à literatura, o primeiro romance,Zabibah e o Rei (2001), foi um sucesso de vendas e foi igualmente transposto para um musical no Iraque. Mais tarde edita A Fortaleza Inexpugnável.
Em 2003 foi publicada a biografia política de Saddam Hussein intitulada Saddam Hussein: A Political Biography escrito por Efraim Karsh e Inari Rautsi.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXXII - Khomeini

Líder religioso supremo ("ayatollah") e chefe de estado iraniano, Ruhollah Khomeini nasceu em 1900, numa localidade próxima do Teerão, no seio de uma família Shiita. Apesar de ser uma minoria no Islão, o Shiismo é a religião oficial do Irão.
Ruhollah Khomeini significa «inspirado por Deus», um desígnio que acompanhou o líder religioso desde muito cedo.
Apesar da sua dedicação ao Shiismo, Khomeini, tal como o seu pai, trocou os estudos teológicos pela carreira de jurista (Islâmico). Era ainda novo quando se tornou professor de um seminário e o activismo que o viria a caracterizar ainda não era notório. Para poder criticar, Ruhollah Khomeini preferiu, entre 1920 e 1940, observar passivamente a atitude do xá Reza Pahlavi que, à frente dos destinos iranianos, promovia a secularização e a perda de privilégios do Clero.
Nessa altura, Khomeini era discípulo do membro mais alto da classe clerical do Irão, Ayatollah Mohammed Boroujerdi, um defensor da aplicação da religião ao poder. E foi com a morte de Boroujerdi, em 1962, que Ruhollah Khomeini começou a revelar a sua sabedoria e a sua faceta incómoda, conseguindo reunir muitos seguidores, que o admiravam por ser um antagonista de língua afiada ao regime do xá. Ele era o novo "Ayatollah", o novo líder religioso supremo.
Khomeini sentia-se à vontade com a demagogia populista. Denunciou Reza Pahlavi pelos seus laços com Israel, alegando que os judeus se preparavam para invadir o Irão.
Como consequência dos contínuos ataques que fazia ao monarca, Ruhollah Khomeini foi afastado para a Turquia, em 1964, sendo-lhe, depois, permitido instalar-se em An Najaf, a cidade sagrada dos Shiitas, situada no Iraque.
Ao contrário do que o Shah pretendia, Khomeini não foi esquecido. No Iraque, ele recebia iranianos chegados de vários pontos do Médio Oriente, e enviava para o Irão cassetes que continham sermões que eram, depois, ouvidas em bazares. Foi no exílio que Khomeini se tornou no reconhecido líder da oposição ao xá.
Em An Najaf, Ruhollah Khomeini também deu forma a uma doutrina revolucionária. Historicamente, o Shiismo exigia do Estado que se mantivesse aberto a uma orientação religiosa. Todavia, o exilado, condenando o secularismo do Shah e a sua servidão aos Estados Unidos, atacou a legitimidade do regime, apresentando como alternativa um Estado clerical.
No final de 1978 realizaram-se no Irão grandes manifestações de rua que reivindicavam a abdicação de Reza Pahlavi. Estes fenómenos levaram à implosão governamental. Estudantes, a classe média, mercadores, trabalhadores e o exército (os pilares da sociedade) abandonaram o regime. Washington era a única ajuda do xá, que acabou por abandonar o Irão em Janeiro de 1979.
Ruhollah Khomeini, a viver em França por ter sido expulso do Iraque em 1978, regressou ao seu país duas semanas depois e foi recebido em apoteose. Aclamado como líder, confirmou a sua autoridade e iniciou o trabalho de campo que levaria à implementação de um Estado clerical, a república Islâmica. Cancelou uma experiência parlamentarista e ordenou a formação de uma assembleia para elaborar uma constituição Islâmica. Os delegados projectaram um Estado que Khomeini iria comandar e que o Clero iria gerir, reforçando as leis religiosas.
A sua ideologia conservadora opunha-se aos avanços e tendências ocidentais, declarando "guerra" a tudo o que viesse do Ocidente e especialmente dos EUA.
Em 1979, o líder Shiita e um grupo de anti-americanos assaltaram a embaixada dos Estados Unidos em Teerão e fizeram 52 reféns durante mais de um ano.
Na última década da sua vida, Ayatollah Khomeini consolidou o seu poder. As burocracias do Estado estavam na mão do Clero; as escolas e os meios de comunicação social foram inundados pelas suas doutrinas pessoais. Depois de dispensar os serviços militares e os de segurança, reestruturou-os para assegurar a sua lealdade.
Khomeini lançou igualmente uma campanha para, como ele próprio dizia, "exportar" a revolução para os países muçulmanos vizinhos. As provocações que fez neste sentido levaram-no a uma guerra contra o Iraque (1980-1988), que durou oito anos, com o custo final de oito milhões de vidas.
Na altura em que os seus seguidores pareciam mais desmoralizados, instituiu o "fatwa", uma lei que condenava à morte todos os que criticassem o regime. Khomeini aplicou esta lei ao escritor Salman Rushdie pelas supostas heresias contidas na sua obra "Versículos Satânicos", embora até hoje a sentença não tenha sido executada.
Ayatollah Khomeini morreu em 1989, meses depois de ter condenado Rushdie à morte.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXXII - Suharto

Mohamed Suharto

General e político indonésio nascido em 1921. Quando a Indonésia se tornou independente, em 1950, Suharto ocupava o lugar de tenente-coronel. Valendo-se do crescente anticomunismo do Exército, dirigiu em 1965 um golpe de Estado que destituiu o presidente Sukarno. Assumindo a Presidência em 1966, Suharto levou a cabo uma perseguição aos comunistas e aos opositores políticos em geral, em toda a extensão do país.
Suharto instituiu uma política por ele designada de Nova Ordem. Encorajou o investimento ocidental na Indonésia, revigorou a economia e expandiu a produção de petróleo. A par do desenvolvimento económico, porém, restringiu fortemente as liberdades civis, praticando uma política autoritária, conservadora, nacionalista e anticomunista. No quadro de um regime de ditadura, foi repetidamente reeleito sem oposição. A situação política interna não impediu a Indonésia de se afirmar como uma potência na Ásia nem de se relacionar com aparente normalidade no âmbito de instituições internacionais como o Movimento dos Países Não-Alinhados.
Em 1975, Suharto mandou invadir Timor Leste, território sob administração portuguesa. Desde essa altura, perseguiu violentamente a população local que se mostra favorável à autodeterminação. Em causa estão elevados interesses económicos, nomeadamente o petróleo do Mar de Timor. Abandonou a Presidência do país em Maio de 1998 na sequência de manifestações populares de revolta contra o sistema ditatorial e das crescentes pressões internacionais desencadeadas pela sistemática violação dos direitos humanos na Indonésia e em Timor.
© 2004 Porto Editora, Lda.

FDS - Líderes do Século XX - XXXI - Pinochet

Augusto Pinochet

Militar e político chileno nascido em 1915. Formou-se pela Academia Militar de Santiago do Chile em 1936, prosseguindo a sua carreira nas Forças Armadas até atingir o posto de general.
Em Setembro de 1973, planeou e liderou o golpe de Estado no qual o presidente Salvador Allende perdeu a vida e o Governo democraticamente eleito foi deposto. Pinochet foi nomeado presidente da nova Junta Governativa e de imediato mandou silenciar a oposição (estima-se que tenham sido presas 130 000 pessoas), submetendo todo o país ao controlo rigoroso de militares que lhe eram fiéis. Em Junho do ano seguinte assumiu sozinho o poder no Chile.
Em 1981 foi elaborada uma nova Constituição, onde se podia ler que Pinochet seria o presidente do Chile por mais oito anos. Enquanto esteve no poder, impôs um regime férreo, espalhando o terror e mantendo um controlo cerrado sobre os opositores políticos. Pressionado pela comunidade internacional, cumpriu em 1989 a promessa de realizar um plebiscito, no qual foi rejeitado pelo eleitorado (55% dos votantes exprimiram-se contra a sua permanência no poder). O democrata-cristão Patricio Aylwin veio a ser eleito presidente, mas Pinochet conseguiu manter-se como o mais alto responsável pelas Forças Armadas do país até Março de 1998, onde ocupou o cargo, por ele criado, de senador vitalício.
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FDS - Líderes do Século XX - XXX - Khadaffi

Muhammar Khadaffi

Militar líbio, Muhammar Khadaffi nasceu em 1942, na Líbia. Filho de um beduíno, o seu nascimento aconteceu numa tenda no deserto líbio. Muçulmano devoto e nacionalista árabe, cedo começou a planear uma estratégia que conduzisse à queda da monarquia na Líbia. Licenciou-se pela Academia Militar em 1965 e continuou a planear o golpe com a ajuda de militares. Em 1969, com o posto de capitão, Khadaffi depôs o rei Idris. Foi nomeado comandante-chefe das Forças Armadas e presidente do novo corpo governativo da Líbia.
A sua orientação política nacionalista, dentro do chamado socialismo islâmico, depressa se deu a conhecer. Em 1970, Khadaffi fechou as bases militares norte-americanas e britânicas existentes no país e expulsou as comunidades judaicas. Em 1973 nacionalizou as companhias estrangeiras de petróleo que estavam sediadas na Líbia. À luz dos princípios islâmicos, declarou ilegais as bebidas alcoólicas e os jogos de azar. A repressão dos opositores foi feita implacavelmente.
Na ordem externa, Khadaffi tornou-se uma das personalidades mais problemáticas do nosso tempo. O seu Governo esteve implicado em vários golpes de estado fracassados no Egipto e no Sudão, e as suas tropas intervieram na longa guerra civil do Chade. Por outro lado, financiou grupos extremistas em diversos países, que se encarregaram de desencadear operações de terrorismo no Ocidente, em especial contra os Estados Unidos da América.
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