
"O REINO CANIBAL"
"Na qualidade de carniceiros metódicos e bem treinados no campo de batalha e de cidadãos da terra da Inquisição, Cortés e os seus homens, que chegaram ao México em 1519, estavam acostumados a exibições de crueldade e derramamento de sangue. . . Contudo, não estavam exactamente preparados para o que encontraram no México. . . Em nenhuma outra parte do mundo se desenvolvera uma religião patrocinada pelo estado, cuja arte, arquitectura e ritual fossem tão completamente dominados pela violência, a decadência, a morte e a doença. . .
As narrativas de Cortés e Bernal Díaz não deixam lugar para dúvidas. . . Os Deuses Astecas comiam pessoas."
Mas após estudo mais aprofundado, o autor conclui que não eram os Deuses quem comia os sacrificados.
"A descrição de Bernardino De Sahagún deixa pouco espaço para dúvidas:
Depois de lhes terem arrancado o coração e vertido o sangue numa cabaça, que o senhor do homem morto recebia em pessoa, punham o corpo a rolar pelos degraus da pirâmide abaixo. Ele parava sobre um pequeno largo lá em baixo. Aí alguns velhos, a que chamavam Quaquacuiltin, apoderavam-se dele e transportavam-no para o seu templo tribal, onde o desmembravam e o dividiam para o comerem.
De Sahagún menciona-o repetidas vezes:
Depois de os terem morto e de lhes terem arrancado os corações, levavam-nos devagar, rolando-os pelos degraus abaixo. Quando chegavam ao fundo, cortavam-lhes as cabeças e trespassavam-nas com uma vara e levavam os corpos para as casas a que chamavam Calpulli, onde os dividiam para os comerem. (...) e arrancavam-lhes o coração e cortavam-lhes a cabeça. E mais tarde dividiam o corpo entre eles e comiam-no. (...)
Diego Durán dá-nos uma descrição semelhante:
Depois de o coração ter sido arrancado era oferecido ao Sol e o sangue era aspergido na direcção da divindade solar. À imitação do descer do Sol a oeste, o corpo era empurrado pelos degraus da pirâmide. Depois do sacrifício, os guerreiros celebravam um grande festim com muitas danças, cerimoniais e canibalismo.
(...) A Mesoamérica ficara no final do período glaciário numa condição de esgotamento . . . no que se refere a recursos animais (...)
Assim:
(...) Poderia a redistribuição de carne proveniente de vítimas sacrificiais ter melhorado significativamente o teor de proteínas e gorduras da dieta da nação Asteca (...)"